A ida da
Frederica, a filha da Margarida e minha por empréstimo, para Lisboa teve
efeitos que não estaríamos à espera. Pois o espaço que tivemos para pensar e
refletir foi ocupado com a noção que nos queríamos casar.
Não no sentido
cristão, Deus é porreiro quando rega a horta e pouco mais, nem no sentido
pagão. Uma das primeiras decisões foi não ter um casamento gigante. Daqueles
que implicam um enorme dispêndio de energia e dinheiro para termos 200 pessoas
na boda, estando com todos, mas definitivamente não estando com ninguém.
Sendo que numa altura
como estas, menos equacionável ainda do ponto de vista financeiro. Não há
dinheiro nem energia para construir uma memória distante.
A energia está
toda ela concentrada em trabalhar para garantir o nosso sustento.
Daí a chegarmos a
uma lista de 12,5 pessoas, num dia construído para nós. Não para a família ou
amigos. Para nós.
A Margarida
queria muito casar em Lisboa, cidade que a viu nascer e que me viu crescer. Mas
foi em Ponta Delgada, aquela em que eu nasci que decidimos casar.
Mas para não ser
exatamente nem cá, nem lá, decidimos que seria num barco, o qual nos levaria a
ver o por do sol, seguindo-se uma refeição confecionada pelo meu irmão Daniel e
a irmã da Margarida, a Mariana. Ambos fervorosos apaixonados pela cozinha.
Arranjamos uma
cor, o cor de rosa e um conceito: a vida é cor de rosa.
Depois veio o
pedido da mão noiva ao Pai, num momento que cheirou a Cosa Nostra. Contudo, não
acordei com a cabeça de cavalo na cama, mas sim com a mão da noiva e todo o
resto, ao meu lado, livre e desimpedida para casar.
Depois foram os
telefonemas aos diretamente envolvidos.
Mais coisa, menos
coisa, foi assim que tudo começou.
Como vai acabar,
continua uma incógnita.

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